
Notícias
Últimas do G1

04 de abril de 2026 às 07:02
Agricultor que encontrou possível petróleo ao perfurar poço começa a receber água de nova adutora
Agricultor que encontrou possível petróleo no CE diz ter estranhado material Sidrônio Moreira, agricultor cearense que encontrou uma possível jazida de petróleo ao perfurar um poço artesiano em seu quintal, no Ceará, já está recebendo água de uma nova adutora da região e comemora o alívio em meio a escassez hídrica na cidade de Tabuleiro do Norte. O sistema ainda não foi inaugurado, está em fase de testes, e deve beneficiar cerca de 700 famílias após começar a funcionar. ➡️ As adutoras são grandes tubulações que transportam água de reservatórios, rios ou estações de tratamento até cidades e comunidades, garantindo abastecimento contínuo. LEIA TAMBÉM: Como a Beira-Mar movimenta o turismo de Fortaleza e é destino para corredores Barra do Ceará tem relação com o nascimento da cidade de Fortaleza Esse sistema impacta diretamente a qualidade de vida de famílias que vivem em regiões historicamente afetadas pela seca, como é o caso da de Sidrônio. Ele decidiu perfurar um poço artesiano para tentar resolver o problema da falta de água encanada no Sítio Santo Estevão. No entanto, no lugar da água, encontrou um líquido preto, denso, viscoso, com cheiro de combustível: "Se eu disser que desde ontem está caindo água aqui em casa da nova adutora?! Ainda não inauguraram, estão fazendo teste, mas está caindo [água]. E deu uma chuva boa também. É um alívio, graças a Deus", celebra o agricultor. Sidrônio segura nas mãos pote com líquido encontrado ao cavar poço no quintal. Gabriela Feitosa/g1 Sidrônio e a esposa, Maria Luciene, vivem com dois filhos sítio. Sem acesso à água encanada, a família estava dependente de carros-pipa para o abastecimento. A renda vem das aposentadorias do casal e da venda de animais, feijão e milho. O filho de Sidrônio, o gerente de vendas Sidnei Moreira, afirmou que a prioridade da família sempre foi encontrar água para resolver a escassez na propriedade, especialmente por conta da idade do pai e da criação de animais. Segundo ele, caso a substância encontrada seja de fato petróleo, a expectativa é que a situação seja resolvida rapidamente para gerar uma renda extra, o que ajudaria a garantir o abastecimento, ainda que por meio da compra mais frequente de água por carro-pipa. "Nunca foi nossa intenção achar petróleo, sempre foi achar água", declarou. Sidrônio e família ao lado de primeiro poço perfurado para obter água. Gabriela Feitosa/g1 Caso seja confirmado, o agricultor poderá 'lucrar'? Entenda se agricultor cearense que encontrou possível petróleo pode lucrar com achado A resposta é complexa. Conforme os técnicos da ANP relataram ao g1, o agricultor não será dono do petróleo, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União. No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual do lucro. ➡️Mas, atenção: primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia, já que outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos. Esse repasse financeiro, garantido por lei, pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados. Em resumo, embora o agricultor não tenha a titularidade sobre o recurso e não possa vendê-lo por conta própria, ele tem o direito de receber essa compensação financeira caso a extração comercial se concretize. Relembre o caso Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo A substância semelhante a petróleo foi encontrada em novembro de 2024, enquanto o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo em busca de água para abastecimento de animais da sua propriedade, na localidade de Sítio Santo Estevão. Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço. Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. Semanas mais tarde, porém, a família descobriu que o líquido pode ser petróleo. 📍Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região é contemplada pela Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. A família e o IFCE procuraram a ANP ainda em julho de 2025 informando sobre a descoberta, mas desde então a agência não havia respondido. A primeira visita ocorreu em 12 de março deste ano. Na ocasião, eles conversaram com a família e repassaram orientações. Uma amostra foi levada pela equipe. Assista aos vídeos mais do Ceará:

04 de abril de 2026 às 07:02
Homens com obesidade podem 'transmitir' problemas para os filhos; entenda mecanismo
Pesquisa investigou como homens com obesidade 'transmitem' problemas metabólicos para os filhos. Freepik Os pais são responsáveis por passar aos filhos uma série de características – cor dos olhos, do cabelo, tipo sanguíneo. Mas são também por meio dos genes que se determinam a propensão a certas doenças. Já se sabia, por exemplo, que a saúde alimentar dos pais, o que inclui problemas como obesidade ou desnutrição, pode influenciar no risco de doenças nos filhos. ➡️Mas um novo estudo publicado na revista científica "Nature Communications", que contou com a participação de pesquisadores brasileiros, mostrou como isso acontece no caso da obesidade. "Ele [o estudo] mostra que essa 'herança' pode ser transmitida pelo pai através do espermatozoide, usando pequenas moléculas, os microRNAs, que carregam informações sobre o estado de saúde do organismo", detalha Marcelo Mori, professor do Instituto de Biologia da Unicamp e um dos pesquisadores envolvidos no estudo, em entrevista ao g1. VEJA TAMBÉM: Mais que IMC: especialistas propõem reformulação de diagnóstico da obesidade O grupo realizou experimentos com camundongos e observou que os filhotes de machos obesos nasciam com peso normal, mas, com o passar dos dias, apresentavam um quadro de intolerância à glicose e resistência à insulina. 👉Essas características contribuem para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Outro ponto importante revelado pelo estudo é que essa influência negativa vinda do pai pode ser revertida. Isso porque os pesquisadores também notaram que, quando o homem com obesidade perdia peso, houve uma redução desses microRNAs no esperma. "Perder peso melhora a 'qualidade molecular' do esperma, pelo menos no que diz respeito aos microRNAs estudados", explica Mori. LEIA TAMBÉM: Cozinhar em casa ao menos uma vez por semana pode reduzir risco de demência, afirma estudo com idosos Ultraprocessados podem afetar desenvolvimento do embrião e reduzir fertilidade em homens, mostra estudo MicroRNAs e a 'transmissão' de doenças Durante o estudo, os pesquisadores observaram que os animais obesos passaram a expressar em excesso no tecido adiposo e também no espermatozoide um tipo de microRNA conhecido como let-7. 🧬Os microRNAs funcionam como "interruptores finos" das células: eles não produzem proteínas, mas controlam quanto de cada proteína é produzido. "Quando ocorre a fecundação, essas moléculas passam para o embrião e alteram o funcionamento das células desde o início da vida, aumentando o risco de problemas metabólicos no futuro", comenta Mori. Isso mostra que não é só o DNA que importa. O esperma também leva sinais sobre o estado metabólico do pai na forma de microRNAs. Os pesquisadores ainda não sabem como esses microRNAs aumentam no espermatozoide e de onde eles vêm. Efeito semelhante em humanos Para validar os achados em humanos, foram selecionados 15 homens com nível de obesidade severo e que se preparavam para tratamentos de fertilidade. 📈Análises iniciais mostraram excesso do let-7, tanto no tecido adiposo quanto no sêmen – como observado nos camundongos. Quando submetidos a uma intervenção no estilo de vida e a uma reeducação alimentar, os homens também tiveram uma diminuição nos níveis desse microRNA. "Em humanos, os estudos mostram principalmente associações, porque é difícil separar fatores biológicos de fatores de estilo de vida (como alimentação familiar)", compara o pesquisador Marcelo Mori. Desafios e próximos passos De acordo com os pesquisadores, uma das grandes perguntas, após entender melhor como funciona o mecanismo responsável por transmitir a herança para os filhos, é justamente de onde vêm esses microRNAs. "Uma hipótese é que eles venham do próprio tecido adiposo (a gordura do corpo)", analisa Mori. Se essa hipótese for confirmada, no futuro há a possibilidade de intervir nesse processo e reduzir o risco de transmissão desses sinais moleculares para a próxima geração. Para isso, são necessárias novas pesquisas que investiguem a origem desse microRNA bem como estudos clínicos para aprofundar os achados em humanos.

04 de abril de 2026 às 07:01
De mísseis de fragmentação ao bombardeiro do 'juízo final': relembre as armas utilizadas na guerra do Irã
Bombardeiro B-52 operando na década de 1960 Força Aérea dos EUA O mundo presenciou um verdadeiro "desfile" de armamentos modernos e destrutivos na guerra de EUA e Israel contra o Irã. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Diversos países foram envolvidos no conflito, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Omã — praticamente toda a região foi impactada. Nesse cenário, diferentes tecnologias militares ganharam protagonismo no campo de batalha. Nesta reportagem você confere algumas das principais armas utilizadas até agora: GBU-72: a superbomba lançada pelos EUA B-52: o bombardeiro do juízo final Os mísseis de fragmentação do Irã Shahed-136: o drone iraniano barato e mortal O que são mísseis de fragmentação, que Israel acusa o Irã de usar na guerra GBU-72: a superbomba lançada pelos EUA Conhecida como "bomba antibunker", a GBU-72 pesa 2.300 kg e só explode quando alcança o alvo. Os militares norte-americanos a usaram para atingir instalações subterrâneas que abrigavam mísseis de cruzeiro antinavio iranianos. Esse tipo de armamento é projetado para atingir estruturas altamente reforçadas, como instalações militares protegidas e bunkers subterrâneos, capazes de resistir a explosões convencionais. Ao ser lançada, ela penetra no solo, sendo capaz de atravessar camadas espessas de concreto e alcançar locais subterrâneos antes de detonar. Ao explodir já abaixo da superfície, esse tipo de armamento tende a concentrar o impacto no alvo, reduzindo danos ao redor e ampliando a capacidade de destruição em profundidade. Para além da alta letalidade, a bomba é também mais precisa por utilizar um kit de orientação conhecido como Joint Direct Attack Munition (JDAM), que basicamente converte bombas não guiadas em munições guiadas de precisão para todos os climas, com o uso de um receptor GPS. GBU-72, a superbomba lançada pelos EUA Reprodução/Wikimedia Commons B-52: o bombardeiro do juízo final Um dos últimos a entrar no conflito e o menos moderno da lista, o bombardeiro B-52 tem capacidade para transportar até 32 toneladas de armamentos, incluindo bombas, minas e mísseis, além de poder carregar ogivas nucleares. O B-52 é um modelo fabricado pela Boeing e pode voar por mais de 14 mil quilômetros sem reabastecer. Ao menos 744 unidades foram produzidas, e a última foi entregue em outubro de 1962. O modelo foi projetado para transportar armamento nuclear e se tornou um ativo importante dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, sendo visto como o “bombardeiro do juízo final”. A entrada da aeronave na guerra indicou que as defesas aéreas do Irã já estavam bem enfraquecidas, já que ele não é tão ágil quanto caças e fica mais vulnerável a sistemas antiaéreos. Veja ficha técnica do bombardeiro B-52 da Força Aérea dos Estados Unidos. Equipe de arte/g1 Os mísseis de fragmentação do Irã Utilizadas pelos iranianos em ataques a Israel, as munições de fragmentação — também conhecidas como "cluster munition" — são armamentos projetados para se abrir no ar e liberar várias submunições sobre um território extenso. Essas pequenas bombas têm como alvo principal áreas amplas, podendo atingir simultaneamente soldados, veículos e infraestruturas. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, elas foram usadas pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial. Quando disparadas, muitas submunições podem não explodir no momento do impacto e permanecem ativas no solo — funcionando como minas terrestres, o que significa que elas podem ferir ou matar anos após o fim dos conflitos. EUA anunciam o envio de bombas de fragmentação, capazes de grande destruição, para a Ucrânia Jornal Nacional/ Reprodução Míssil de fragmentação iraniano explode sobre Israel em 5 de março de 2026 Dylan Martinez/Reuters Shahed-136: o drone iraniano barato e mortal Um dos primeiros armamentos a serem utilizados nesta guerra, o Shahed-136 se consolidou como um dos principais trunfos do Irã por ser barato e de fácil produção — podendo atingir alvos rapidamente como data centers, infraestrutura energética, aeroportos e até bases navais. Em duas semanas de trocas de ataques, mais de mil aeronaves desse tipo já haviam sido lançadas pelo Irã. A estratégia aposta no volume, não na precisão: grandes enxames são disparados simultaneamente para saturar as defesas aéreas. Com apenas 3,5 metros de comprimento, eles podem ser lançados a partir de estruturas simples, montadas em poucas horas. 👉 O preço justifica a quantidade: Um drone Shahed custa entre US$ 20 mil e US$ 50 mil (R$ 100 mil a R$ 261 mil), segundo o Centro para Estudos Internacionais Estratégicos. O disparo de um único míssil de defesa aérea usado pelos EUA e aliados para derrubar os drones pode custar entre US$ 1,3 milhão e US$ 4 milhões (R$ 6,7 milhões a R$ 20,9 milhões). Cálculos da agência Reuters mostram que o custo de apenas um míssil de defesa Patriot seria suficiente para financiar ao menos 115 drones de ataque iranianos. Conheça o drone Shahed-136, utilizado pelo Irã para atacar Israel. Arte/g1

04 de abril de 2026 às 07:01
Como o tarifaço de Trump remodelou o comércio global
Trump durante anúncio do tarifaço em abril de 2025 Carlos Barria/Reuters Em 2 de abril de 2025, Donald Trump surpreendeu o mundo ao anunciar a "independência econômica" dos Estados Unidos, com a imposição de tarifas de importação a todos os países. Desde então, o presidente americano tem se mostrado disposto a manter a medida, mesmo com a Suprema Corte questionando a legalidade do tarifaço. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A DW analisou dados comerciais sobre a origem das importações dos EUA ao longo do último ano para entender os efeitos das tarifas de Trump. Como o mundo vem se ajustando a essa nova ordem econômica? E quem está se beneficiando dessas mudanças? Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como falas de Trump mexem no preço do petróleo — e como ele reage com respostas do Irã 2 de abril de 2025: Casa Branca anuncia as tarifas do "Dia da Libertação" No anúncio do tarifaço, no chamado "Dia da Libertação", a Casa Branca informou que todos os países — com algumas exceções devido a sanções e acordos comerciais pré-existentes — seriam submetidos a uma sobretaxa básica de 10% sobre todas as importações. Além disso, 85 países que exportam mais para os EUA do que importam seriam alvo de tarifas mais altas, que chegavam a até 50%. "Não acho que as pessoas esperavam que o governo dos EUA basicamente declarasse uma guerra comercial contra o mundo inteiro", afirma Haishi Li, economista da Universidade de Hong Kong, cuja pesquisa se concentra em como tarifas e sanções afetam o comércio global. O impacto foi imediato, e os mercados financeiros globais despencaram. Enquanto Trump insistia publicamente que "as grandes empresas não estão preocupadas com tarifas", o governo americano decidiu, em 9 de abril, fazer uma pausa de 90 dias em todas as tarifas acima da taxa básica de 10%. Durante essa suspensão, diversos parceiros comerciais, como União Europeia, Vietnã e Reino Unido, correram para negociar acordos comerciais na tentativa de reduzir as tarifas anunciadas. As negociações com a China permaneceram tumultuadas nos meses seguintes, com rodadas de ameaças de tarifas recíprocas que chegaram a até 125%. Após múltiplas extensões de última hora da pausa de 90 dias, as tarifas específicas por país entraram em vigor em 7 de agosto de 2025. O Brasil acabou sendo penalizado com uma tarifa adicional de 40%. Isso elevou para 50% a alíquota extra imposta às exportações brasileiras a partir de 6 de agosto. A sobretaxa, porém, foi revertida por decisão do próprio Trump no fim de novembro. Início de 2025: importadores dos EUA fazem estoques prevendo tarifas Mesmo antes de abril, já era claro que mudanças estavam a caminho. "As tarifas vão nos deixar ricos pra caramba", declarou Trump ao iniciar seu segundo mandato, em janeiro de 2025. As empresas americanas entenderam o recado. Em uma corrida para encher armazéns antes do aumento de custos, ampliaram drasticamente os pedidos e trouxeram para o país, entre janeiro e março, um volume de bens 20% maior do que a média de 2022 a 2024 — um salto equivalente a cerca de 184 bilhões de dólares (R$ 949 milhões). Prevendo tarifas mais altas sobre barras de ouro, por exemplo, os EUA importaram cerca de 50 vezes o volume habitual no início de 2025, totalizando aproximadamente 72 bilhões de dólares (R$ 371 bilhões) — principalmente da Suíça, mas também de fornecedores menos tradicionais, como Uzbequistão, Filipinas e Zimbábue. Grandes fabricantes em toda a Ásia também registraram fortes altas, com Taiwan, Vietnã e Índia exportando volumes acima do normal para os Estados Unidos nesse período. Abril a julho de 2025: empresas americanas migram para países com tarifas mais baixas O período de suspensão implementado em 9 de abril deu aos importadores americanos uma janela de três meses para se adaptar à nova situação. Um estudo de Haishi Li e colegas constatou que as empresas tentaram deslocar suas cadeias de suprimentos para países com menor risco tarifário. "As importações se comportaram como a água, fluindo de países com tarifas altas para países com tarifas baixas", disse Li à DW. Nenhum país sofreu uma redução maior do que a China, que enfrentou as ameaças tarifárias mais altas e voláteis. Entre abril e julho de 2025, os EUA importaram 66 bilhões de dólares a menos da China do que nos anos anteriores. O Canadá, que enfrentou ameaças de tarifas de 25%, também registrou uma queda significativa de 24 bilhões de dólares. No entanto, o país parece ter compensado essa redução ao ajustar seu comércio com outros parceiros: no total, as exportações canadenses em 2025 ficaram apenas 1,6 bilhão abaixo das de 2024. "Os países que mais se beneficiaram do tarifaço foram os 'países dos 10%', como Austrália e várias nações da América Latina", aponta Haishi Li. Mas algumas nações sujeitas a taxas elevadas também registraram forte aumento nas exportações para os EUA: Vietnã, Tailândia e Taiwan enfrentaram algumas das chamadas "tarifas recíprocas" mais altas — 46%, 36% e 34%, respectivamente — e, ainda assim, os EUA registraram um acréscimo de 34 bilhões de dólares em importações de Taiwan apenas entre abril e julho. "Os importadores americanos buscaram países que pudessem servir como substitutos para a China", explica o economista da Universidade de Hong Kong. Muitos fabricantes em Taiwan e no Vietnã já mantinham laços fortes com empresas dos EUA, reforçados durante a disputa comercial com a China no primeiro mandato de Trump, o que já havia deslocado parte da produção e das cadeias de suprimentos para essas e outras economias asiáticas. Americanos arcam com maior parte dos custos Até agora, a medida não trouxe a produção de volta para os Estados Unidos, afirma Alex Durante, economista-sênior do think tank americano Tax Foundation, que analisou o impacto doméstico do tarifaço de Trump. "O último ano foi bastante ruim para a indústria e para o emprego", diz ele à DW. "Os setores que estão crescendo tendem a ser aqueles relativamente protegidos das tarifas, devido a isenções como as concedidas a computadores e produtos ligados à inteligência artificial." Mesmo com a mudança na origem das compras, o valor total das importações voltou ao normal pouco depois do anúncio do "Dia da Libertação", em 2 de abril. Um dos números que mais cresceram foi a arrecadação alfandegária dos EUA. Em 2025, o Tesouro americano recolheu 287 bilhões de dólares em tarifas e impostos, aproximadamente o triplo do registrado em anos anteriores. Dados preliminares indicam que 2026 deve ultrapassar esse total. Essa arrecadação representou cerca de 5% de todos os impostos coletados nos Estados Unidos em 2025. Estudos mostram que as tarifas mais altas têm sido pagas quase integralmente pelos importadores americanos, e não por exportadores estrangeiros. Como resultado, os consumidores dos EUA acabaram arcando com a maior parte dos custos. "Estimamos que as tarifas custaram, na prática, cerca de mil dólares por domicílio americano em 2025", afirma Alex Durante, da Tax Foundation. "Esse é o efeito cumulativo de as empresas aumentarem preços, reduzirem investimentos, cortarem empregos ou diminuírem salários para se ajustar às tarifas." Incerteza assombra exportadores No cenário internacional, os meses desde agosto de 2025 têm sido marcados por acordos comerciais fechados às pressas — e desfeitos com a mesma rapidez —, além de novas rodadas de ameaças tarifárias direcionadas a países ou grupos específicos de produtos. O comércio global, afirma Haishi Li, tornou-se muito mais incerto. "Se você perguntar a acadêmicos, formuladores de políticas nos EUA ou a qualquer pessoa o que vai acontecer neste ano, acredito que ninguém saiba responder", diz o economista. O choque mais recente nesse equilíbrio já frágil do sistema tarifário dos EUA veio com a decisão da Suprema Corte, em fevereiro, que derrubou a base legal das tarifas do "Dia da Libertação". Com uma nova alíquota geral de 15% em vigor e o governo americano aparentemente determinado a encontrar outras formas de aplicar tarifas mais altas, exportadores e importadores tentam prever o que os próximos meses trarão. Para se adaptar a essa incerteza, diz Haishi Li, os governos podem priorizar o apoio a empresas que busquem novos mercados fora dos EUA. "Se conseguirem diversificar suas cadeias de suprimentos, isso as tornará mais resilientes — o que pode ser um ponto positivo em meio a esse cenário", finaliza.









