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04 de abril de 2026 às 08:30
Você viu? Caminhonete de luxo é apreendida, menino encontrado morto em represa e ‘influencer do grau’ fica em estado grave
Você viu? Caminhonete de luxo é apreendida, menino encontrado morto em represa e ‘influencer do grau’ fica em estado grave g1 Olá! Confira o que foi destaque no g1 nesta semana. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Motorista compra caminhonete de luxo e veículo é apreendido pela PRF Uma caminhonete Toyota Hilux com indícios de adulteração foi apreendida pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-050, em Araguari, durante uma fiscalização de rotina. O motorista, de 38 anos, contou que comprou o veículo por R$ 223 mil após ver um anúncio na internet, acreditando que a negociação era regular. Parte do pagamento foi feita por transferência bancária e outra em dinheiro. Durante a abordagem, os agentes identificaram sinais de irregularidade nos elementos de identificação da caminhonete, já que um veículo, com a placa original, foi fiscalizado seis dias antes no estado do Mato Grosso. O homem foi encaminhado à delegacia da Polícia Civil para prestar esclarecimentos. Corpo de menino desaparecido é encontrado em represa em Patrocínio O corpo de Eduardo Miguel Silva, de 10 anos, foi encontrado na tarde de terça-feira (31) em uma represa do Parque da Matinha, em Patrocínio. O menino estava desaparecido desde a manhã de segunda-feira (30), quando saiu de casa após retornar da escola. A mãe procurou a polícia após não conseguir localizá-lo. Com base em informações levantadas durante as buscas, o Corpo de Bombeiros foi acionado para procurar o garoto na represa. O corpo foi encontrado submerso a cerca de 1,80 metro de profundidade. Eduardo Miguel Silva de 10 anos foi encontrado morto em represa do Parque da Matinha, em Patrocínio Prefeitura de Patrocínio/Reprodução LEIA TAMBÉM: Trabalhadores que comiam frutas do chão e tinham 'dívidas artificiais' vão receber direitos Mãe e filho são presos com 20 pés de maconha cultivados em estufa caseira Grávida morre após ser ejetada em engavetamento na BR-365 ‘Influencer do grau’ fica em estado grave após acidente durante fuga da PM Dois jovens, de 18 e 20 anos, ficaram gravemente feridos após um acidente de moto em Patos de Minas. Eles fugiam da Polícia Militar quando colidiram contra um caminhão. Assista ao vídeo abaixo. ‘Influencer do grau’ fica em estado grave após ser atingido por caminhão durante fuga Segundo a PM, o condutor é conhecido nas redes sociais por publicar vídeos de manobras perigosas e se apresentar como “influencer do grau”, com mais de 98 mil seguidores. A perseguição começou após os policiais flagrarem a dupla em alta velocidade e na contramão. Durante a fuga, o garupa levantou a placa da moto para dificultar a identificação. Pouco depois, eles bateram no caminhão e foram arremessados. Os dois foram socorridos e levados para o Hospital Regional Antônio Dias. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

04 de abril de 2026 às 08:01
'Não aceitei sair com um lutador de MMA — e ele me deu um soco'
Anne Marie Boyle acabou com um osso malar quebrado, lesão cerebral e um trauma duradouro Anne Marie Boyle Importante: esta reportagem contém descrições de agressões que podem ser perturbadoras para alguns leitores. Uma esteticista contou que um único soco de um lutador de MMA (artes marciais mistas, na sigla em inglês) em uma noite mudou a sua vida para sempre. Anne Marie Boyle ficou inconsciente ao levar um soco depois de rejeitar os avanços de Sean McInnes em um bar na Escócia, em setembro de 2024. Mãe de dois filhos, ela conta que tem "sorte por estar viva". Boyle teve uma fratura de órbita e do osso malar. Mas ela conta que o ataque também a deixou com uma lesão cerebral e convulsões posteriores, que a levaram a perder seus negócios, sua licença para dirigir e sua autoconfiança. McInnes havia participado de uma importante competição de muay thai, o boxe tailandês. Ele foi preso em março, por 21 meses. Boyle é terapeuta de beleza, dona de sua própria empresa bem sucedida. Na noite do incidente, ela estava com seus primos em um bar em East Kilbride, na área de conselho de South Lanarkshire, na Escócia. Ela contou à BBC que, normalmente, não costumava ir àquele bar, mas eles foram para assistir a uma apresentação. Boyle tem 38 anos e conta que o que era, até então, uma noite calma acabou se transformando em um pesadelo que mudou a sua vida. "Minha filha tinha futebol no dia seguinte", segundo ela. "Por isso, eu sabia que iria dirigir e, na verdade, não estava bebendo muito naquela noite." Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Aquele rapaz ficava se aproximando da mesa. Ele simplesmente não aceitava um não como resposta. Ele não nos deixava em paz." Boyle afirma que nunca o tinha visto antes. "Relembrando agora, certamente houve sinais de alerta, como ignorar limites", ela conta. "Alguém me perguntou 'você acha que ele simplesmente não entende 'não'?' Na verdade, ele entendia 'não', só não era a resposta que ele queria." Quando o bar fechou, Boyle e seus amigos saíram para ir a pé para casa. Ela disse a McInnes: "Por favor, vá no caminho oposto." Mas ele continuou a importuná-las. "Agressões verbais, gritos, berros no nosso rosto, ele crescia em cima de nós, não nos deixava ir embora", conta Boyle. Sean McInnes era lutador de MMA e havia competido no evento Lion Fight 68, uma importante competição de muay thai Reprodução "Relembrando, aquilo só tinha dois desfechos. Ou ele seguiria seu caminho, ou aquilo iria acontecer. E tudo só se escalou." McInnes participou da competição de muay thai Lion Fight 68. Ela conta que ele empurrou sua prima com tanta força que "ela estava gritando". Segundos depois, ele socou Boyle no rosto. "Fiquei inconsciente", segundo ela. "Imediatamente depois, ele socou outro menino e o deixou inconsciente." Elas não sabiam que McIness era lutador de MMA. "Nunca senti uma dor como aquela", prossegue Anne Marie Boyle. "Acho que ele sabia exatamente onde me atingir." Anne Marie Boyle sofreu fratura de órbita e do osso malar devido ao ataque Anne Marie Boyle A dor no seu rosto e nos dentes era uma angústia. "Lembro que um policial veio e me perguntou 'você está bem?' Ele disse que eu estava sangrando na parte de trás da cabeça." Boyle ficou no hospital por três semanas e foi diagnosticada com transtorno neurológico funcional (TNF). Ela conta que esta condição faz com que o cérebro pare de enviar sinais para o corpo, causando suas convulsões. Agora, ela também sofre de tremores involuntários e dores crônicas. Todo este suplício trouxe imensas repercussões à sua vida. Incapaz de trabalhar, ela perdeu seu negócio e sua carteira de motorista foi revogada, pois não é seguro para ela ficar atrás do volante. "Minha vida é completamente diferente", ela conta. "Não consigo sair sozinha. Minha ansiedade é muito forte e, agora, não sei quais são as intenções das pessoas." Ela destaca que seus sintomas mentais, às vezes, são piores que os físicos. E também afirma que foi "horrível" passar pelo processo judicial e ver novamente o rosto de McInnes. Tornar o mundo mais seguro para as mulheres McInnes alegou inocência até o dia do julgamento, quando finalmente reconheceu o ataque. Boyle ficou decepcionada por ele não ter recebido uma sentença maior. "Ele irá sair e voltar para sua família e seus filhos. Ele vai poder dirigir e voltar para o trabalho. E eu não posso trabalhar, pois posso cair a qualquer momento." Ela deseja fazer com que as pessoas tenham consciência dos riscos representados por pessoas como McInnes. E quer tornar o mundo mais seguro para as mulheres, como suas duas filhas. "Tenho duas filhas que precisam de mim e tenho muitas pessoas que me amam à minha volta", ela conta. "Esse amor é o que me ajuda a enfrentar isso." "Estou contando esta história porque não quero que isso aconteça com outras pessoas que talvez não tenham o mesmo sistema de apoio, que podem não ser tão fortes, que podem não ter resistência."

04 de abril de 2026 às 08:01
Mudanças na licença-paternidade podem impactar contratação e carreira de mulheres; entenda
Brasil amplia licença-paternidade, supera os EUA, mas segue distante de países referência A ampliação da licença-paternidade no Brasil, sancionada na última terça-feira (31), reacendeu um debate que vai além do direito ao afastamento após o nascimento de um filho. A mudança também toca na desigualdade de gênero no mercado de trabalho: a forma como o cuidado ainda é tratado como responsabilidade feminina e como essa percepção influencia decisões empresariais, como contratações e promoções. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A nova lei amplia o benefício de forma gradual. O período passa dos atuais cinco dias para 10 dias em 2027, 15 em 2028 e 20 dias em 2029. O direito vale para nascimento, adoção e guarda. O texto também estende o acesso ao benefício a trabalhadores informais, como autônomos e microempreendedores individuais. Apesar dos avanços, o modelo brasileiro ainda mantém o cuidado majoritariamente concentrado na mulher. A maternidade segue sendo tratada como um custo previsível: empresas projetam afastamentos e, muitas vezes, tomam decisões baseadas nessa expectativa antes mesmo da contratação, explica Dhafyni Mendes, cofundadora do Todas Group, programa de aceleração de carreiras femininas. “A ampliação da licença-paternidade é um avanço muito relevante porque começa a endereçar a origem de um dos principais fatores que geram vieses no mercado de trabalho, que é a distribuição do cuidado”, afirma. Segundo Dhafyni, quando apenas a mulher se afasta, o mercado concentra nela todo o custo percebido da parentalidade. Esse custo não é apenas financeiro. Envolve expectativas sobre desempenho, disponibilidade e continuidade de carreira. Experiências internacionais indicam que políticas mais equilibradas alteram o comportamento do mercado. Em países onde homens e mulheres têm direitos semelhantes, o risco associado à contratação feminina tende a diminuir. “Na hora de contratar, o empregador sabe que tanto o homem quanto a mulher terão direito à licença. Isso evita aquela lógica de priorizar homens porque a mulher pode engravidar”, afirmou o jornalista Guga Chacra ao Estúdio i, na GloboNews. O contraste internacional ajuda a dimensionar o desafio. Nos Estados Unidos, não há licença parental remunerada garantida em nível federal. O afastamento depende de acordos individuais e varia conforme o estado e o tipo de emprego. Em muitos casos, pais retornam ao trabalho imediatamente após o nascimento do filho, relatou o jornalista. Na outra ponta, países como Suécia, Islândia, Noruega, Austrália e Nova Zelândia adotam modelos mais estruturados. Na Suécia, são 480 dias de licença parental por família, com divisão entre os responsáveis e períodos obrigatórios para cada um. Parte do benefício não pode ser transferida, o que incentiva o uso pelos homens e impede que o afastamento recaia exclusivamente sobre as mulheres. Segundo Dhafyni, esse desenho institucional faz diferença. Em países onde a licença para homens era apenas opcional, muitos deixavam de utilizá-la por receio de julgamento ou de prejuízo à carreira. No Brasil, a nova lei retira o país de um grupo entre os mais restritivos e o posiciona em um patamar intermediário. Com cinco dias de licença, o país ocupava a 80ª posição em um ranking global. Com 20 dias, deve figurar entre os 20 primeiros. Ainda assim, permanece distante dos modelos mais avançados. “A ampliação é importante, mas ainda é tímida”, afirma a advogada Ana Gabriela Burlamaqui. “O Brasil não adota uma política de licença parental compartilhada. O cuidado continua concentrado na mulher.” Os dados ajudam a explicar como essa concentração se traduz em desigualdade. As mulheres representam 51,5% da população, mas apenas 53,5% delas estão na força de trabalho. Entre os homens, esse índice chega a 72,8%. 🎓 A diferença não está na formação: elas correspondem a 59,6% dos concluintes do ensino superior. Mulheres no mercado de trabalho g1 Mesmo mais escolarizadas, avançam menos na carreira. Apenas 26,5% ocupam cargos de alta liderança. A desigualdade também aparece na remuneração. Em 2024, as mulheres receberam, em média, 78,6% do rendimento dos homens. Além disso, as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas domésticas e de cuidado. Os homens, 11,7 horas. Entre as mulheres fora da força de trabalho, 22,9% apontam essas responsabilidades como principal motivo para não buscar emprego. Entre os homens, o índice é de 3,1%. Essa sobrecarga molda a forma como o mercado enxerga a maternidade — e o impacto se intensifica no retorno ao trabalho. Conforme o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (RASEAM), divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Ministério das Mulheres, estudos baseados na RAIS (Relação Anual de Informações Sociai) indicam que a probabilidade de emprego das mulheres cai imediatamente após o fim da licença-maternidade. Em até 24 meses, quase metade das mães deixa o mercado formal. A maior parte das saídas ocorre por iniciativa do empregador. Dados do eSocial, da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), reforçam esse padrão. Entre 2020 e 2025, mais de 383 mil mulheres foram demitidas sem justa causa até dois anos após o retorno da licença. Outras 265 mil pediram demissão no mesmo período. Para Dhafyni, esse movimento não se resume às demissões. “Muitas mulheres deixam de ser alocadas em projetos estratégicos. Isso impacta diretamente a visibilidade, a influência e as oportunidades de crescimento dentro das empresas”, afirma. Dispensas do trabalho entre 2020 e 2025 sem justa causa Arte g1 Mesmo quando permanecem empregadas, muitas enfrentam a percepção de que são menos disponíveis. Essa visão se apoia na própria realidade da sobrecarga. "É comum que escolas, creches e serviços de saúde acionem exclusivamente a mãe. Isso reforça a ideia de que ela é a principal responsável", diz. ⚠️ Esse conjunto de fatores cria um ciclo: a sobrecarga afeta a rotina; a rotina reforça estereótipos; os estereótipos influenciam decisões corporativas; e essas decisões limitam a trajetória profissional das mulheres. Há, no entanto, um contraponto que costuma ficar fora do debate, lembra Dhafyni. A maternidade também está associada ao desenvolvimento de competências valorizadas no ambiente de trabalho. Estudos em neurociência indicam que a gravidez e o pós-parto promovem mudanças cognitivas relevantes, com impactos na regulação emocional, na tomada de decisão, no pensamento crítico e na criatividade, afirma a especialista. “No nosso trabalho com desenvolvimento de lideranças, observamos com clareza como a maternidade funciona como um potencializador de habilidades”, afirma Dhafyni. Segundo ela, mães tendem a apresentar maior adaptabilidade, melhor gestão do tempo e alta capacidade de priorização. Em pesquisas conduzidas pelo Todas Group com líderes da América Latina, a maternidade aparece entre as experiências citadas por mulheres que chegaram ao topo das organizações. “O problema não é a maternidade. É a forma como o mercado reage a ela”, afirma. Essa constatação reforça o caráter estrutural da desigualdade. O mercado penaliza um evento que, na prática, pode fortalecer habilidades essenciais para a liderança. A ampliação da licença-paternidade atua na raiz dessa distorção, mas não resolve o problema de forma isolada. Para Dhafyni, a permanência das mulheres no mercado após a maternidade também depende de práticas internas das empresas. Entre as mais eficazes, segundo a especialista, estão: Planejamento de carreira antes e durante a licença Programas estruturados de retorno ao trabalho Lideranças preparadas para conduzir essa transição Benefícios voltados ao cuidado na primeira infância Outro ponto central é o acesso a soluções de cuidado na primeira infância. Empresas que oferecem suporte nessa fase tendem a registrar maior retenção de talentos e menor rotatividade após a maternidade. “Criar contextos que permitam a continuidade dessas carreiras é uma decisão estratégica. Estamos falando de profissionais altamente qualificadas, prontas para o próximo estágio, mas que ainda enfrentam barreiras que nada têm a ver com desempenho”, afirma Dhafyni. A nova legislação brasileira abre espaço para esse movimento. Ela sinaliza uma mudança de direção e reconhece, ainda que de forma parcial, que o cuidado precisa ser compartilhado. Paternidade Juan Pablo Serrano/Pexels O que muda na prática? Com a nova legislação, o Brasil finalmente atualiza as regras da licença‑paternidade e amplia o alcance do direito. O benefício passa a se chamar salário‑paternidade e será custeado pela Previdência Social, com reembolso às empresas pelo INSS. A lei também amplia quem pode ter acesso à licença: além dos trabalhadores com carteira assinada, autônomos, empregados domésticos, microempreendedores individuais (MEIs) e outros segurados do INSS passam a ter direito ao benefício. Outro ponto importante é que o texto reconhece situações em que o pai pode precisar assumir integralmente o cuidado da criança. Nesses casos — como falecimento da mãe, adoção ou guarda unilateral, ausência do nome materno no registro civil, parto antecipado ou internação da mãe ou do recém‑nascido —, a licença‑paternidade pode ser equiparada à licença‑maternidade, chegando a até 120 ou 180 dias. A nova regra também cria estabilidade no emprego durante o período da licença e por até 30 dias após o retorno ao trabalho, além de prever a suspensão ou negação do benefício em casos de violência doméstica, abandono material ou quando o pai não se afasta de fato das atividades profissionais.

04 de abril de 2026 às 08:01
Cientistas mapeiam pela 1ª vez nervos do clitóris e mostram que sensibilidade sexual feminina pode ser maior do que se pensava
Novas imagens revelam nervos do clitóris em 3D e mudam o que se sabia sobre corpo feminino Pela primeira vez, cientistas conseguiram mapear toda a rede de nervos do clitóris, revelando uma estrutura muito mais complexa do que a descrita nos livros de anatomia. O estudo mostra que ideias consolidadas há décadas estavam erradas. As imagens inéditas chegam com um atraso de quase 30 anos em relação ao conhecimento sobre as terminações nervosas do órgão masculino. Enquanto a neuroanatomia do pênis foi detalhada ainda na década de 1990, o clitóris só agora pôde ser mapeado com esse nível de precisão. O estudo utilizou uma tecnologia avançada de imagem em acelerador de partículas para observar estruturas microscópicas e reconstruir, em três dimensões, os caminhos dos nervos. O resultado corrige uma ideia difundida há décadas: a de que os nervos “diminuem” ao chegar à glande do clitóris. Na prática, é o contrário. Os pesquisadores identificaram que o principal nervo da região se ramifica intensamente, formando uma estrutura semelhante a uma árvore que se projeta até a superfície. (Veja a imagem acima) Isso pode, finalmente, ajudar a compreender a sexualidade feminina, mas vai muito além: pode redefinir os limites das cirurgias na região para evitar a perda de sensibilidade e orgasmo, melhorar os processos de reconstrução em casos de mutilação, entre outros avanços. A pesquisa é liderada pela pesquisadora Ju Young Lee, da universidade UMC de Amsterdam, e ainda não foi revisada por pares. Este trabalho apresenta uma reconstrução 3D em alta resolução do clitóris, revelando sua neuroanatomia com detalhes sem precedentes. Essa é uma iniciativa científica para corrigir a lacuna do conhecimento anatômico sobre as mulheres”. Imagem 3D mostra extensão de nervos do clitóris Divulgação Como a pesquisa foi feita e o que descobriu? Para chegar a esse nível de detalhe, os cientistas usaram uma técnica chamada Tomografia de Contraste de Fase Hierárquica (HiP-CT), capaz de visualizar estruturas internas com resolução muito alta. Os exames foram realizados no ESRF, um dos mais potentes aceleradores de partículas do mundo, na França. Nesse tipo de equipamento, feixes de raios X extremamente precisos atravessam os tecidos e permitem reconstruções em altíssima definição — algo impossível com métodos tradicionais de imagem. Com isso, os pesquisadores conseguiram observar os chamados troncos nervosos dentro da glande do clitóris e acompanhar, em 3D, como eles se ramificam até a superfície — algo que nunca havia sido feito antes. E a descoberta muda o que se tem até hoje registrado em livros e que norteia decisões na saúde feminina: 🐸 Esse novo mapa também mostra que a sensibilidade não está restrita ao clitóris em si, mas se estende para áreas vizinhas, como o capuz do clitóris, o monte do púbis e os lábios vaginais. Estudo mapeia rede de nervos do clitóris pela 1ª vez Pexels O que isso pode mudar? O novo mapeamento não é apenas uma correção teórica, mas tem implicações diretas na saúde e na prática médica: Cirurgias de reconstrução após mutilação genital feminina Hoje, cerca de 230 milhões de mulheres no mundo vivem com consequências da mutilação genital feminina. Uma parcela significativa das pacientes que passa por cirurgias de reconstrução relata perda de sensibilidade. Isso pode acontecer por essa lacuna de conhecimento. O novo mapa permite localizar e reconectar nervos com mais precisão, aumentando as chances de recuperação funcional. Tratamentos oncológicos Cirurgias para câncer na região pélvica podem ser planejadas com maior cuidado para preservar a inervação e permitir que as mulheres mantenham a capacidade de ter orgasmo. Assistência ao parto Entender melhor a distribuição nervosa pode ajudar a reduzir lesões e orientar práticas mais seguras durante o nascimento. Compreensão da sexualidade Esse mapeamento é fundamental para entender a sexualidade feminina, principalmente ao fornecer uma base anatômica precisa para o prazer e a sensibilidade — áreas historicamente negligenciadas pela ciência. O estudo revela a extensão de nervos que são cruciais para o orgasmo. Ao detalhar o caminho do nervo dorsal e de outras ramificações que chegam ao capuz clitoridiano, ao monte do púbis e aos lábios vaginais, os cientistas oferecem um mapa de como a sensibilidade é distribuída na região vulvar. A extensão desses nervos é crucial para o orgasmo. Redução de riscos em procedimentos estéticos O estudo mostra que nervos estão fora das áreas tradicionalmente consideradas de risco, o que exige revisão das técnicas para evitar danos permanentes. A diferença de quase três décadas entre o mapeamento do pênis e do clitóris não é apenas técnica — ela reflete uma negligência histórica da ciência em relação ao corpo feminino. Essa é uma área do corpo feminino que sempre teve pouca atenção e é um órgão muito importante para a mulher. Os médicos não costumam pensar: será que isso pode afetar a inervação e a qualidade da vida sexual dela? Então, essa imagem pode mudar as discussões sobre a saúde feminina.









